Apesar de fugir um pouco do título da palestra, tenho que admitir, essa palestra foi algo que eu não esperava. O Gil Giardelli começou a falar, e no começo achei que ia ser uma maluquice só, pois ele citou Satre, David Lynch e vários outros filósofos e artistas menos conhecidos. Mas me enganei, ele conseguiu no meio de toda a loucura de suas referências (leia um livro do Satre ou assista um filme do Lynch pra você entender) mostrar que o Brasil, infelizmente, tirando alguns poucos sites/serviços ficou pra trás na web 2.0. Lógico, não no aspecto tecnológico, com interfaces ricas, AJAX, etc. Mas na questão das idéias, ou será que temos no Brasil sites/sistemas que exploram a folksonomia? Ou o forte senso de comunidade on-line para fins mais interessantes? Existe alguém explorando a colabaração humana aqui no Brasil?

A resposta é, sim existem, mas apenas poucos. Muito pouco, e temos todo o potencial para fazermos bonito na web 2.0, existe povo mais colaborativo do que o brasileiro? A criatividade então nem se fala …

Algumas coisas que foram ditas na palestras estão meio fora da realidade brasileira, mas em questão de idéias, deu pra ver que estamos muito atrás ainda. Mas temos todo o potencial para fazermos uma verdadeira revolução.

Se eu fosse falar da paletra inteira ficaria um post muito grande, porém podem ter certeza que esta palestra ainda vai render alguns posts futuros aqui no blog.

Ao contrário da palestra da Microsoft que fugiu completamente do padrão de apresentação da empresa, a palestra do Google foi, como sempre, uma palestra do Google. Desde a estrutura da palestra, passando pela apresentação da empresa, o fato da missão ser citada ao longo de toda a palestra, etc. Mas uma das coisas que eu mais admiro neles, é o fato de se manterem coerentes com sua missão, e mais, eles agregam valor a marca. O Google sabe usar a seu favor algo que muitos dos que trabalham com informática não dão o devido valor. Eles valorizam o trabalho de outras áreas. Existem várias razões para eu citar isso, mas uma foi que na apresentação, eles manteram a identidade visual da marca. Ou seja quando você assistia a apresentação, mas do que o logo indicando que era uma apresentação do Google, você via as mesmas características visual dos serviços, o tom de azul era o mesmo, o fio cinza para destacar, as mesmas fontes, o mesmo tom de laranja, o uso do cinza ao invés do preto e provavelmente mais outras coisas que não notei, pois não é a minha área. Mas qualquer um notou que aquela palestra era do Google, esse era o objetivo, algo que nesse encontro apenas a AG2 também se preocupou (afinal esse é um dos trabalhos deles).

A palestra em si, foi sobre os serviços, como funcionam, para mim nada de novidade, só para não deixar de citar o assunto da vez do encontro, também falaram de Cloud Computing (mais sobre o que o Google faz com isso do que sobre a idéia em si). No fim, foi como eu esperava, foi uma típica apresentação do Google.

Essa foi a palestra da Microsoft, sinceramente, espera mais. Pra começar o título não dizia nada, não dava pra saber sobre o que era. Até ai tudo bem, mas mesmo depois do final da palestra eu não sei do que se tratava ela.

Foi uma palestra toda confusa, que o palestrante nem se deu ao trabalho de preparar. Pra quem assiste uma palestra, ou aula, ou alguma coisa do gênero, fique atento, pois quando alguém faz como esse palestrante é que não se preparou. O que ele fez foi ficar falando superficialmente de vários tópicos, sempre dizendo “Vou falar disso melhor depois”, após vários “depois” ele acabou não falando nada e conseguiu estourar o tempo. Nota, eu sei que isso é uma característica de quem não se preparou, pois infelizmente eu já fiz isso. E isso acontece pela falta de uma sequência lógica na sua cabeça antes de começar a falar ou apresentar. Detalhe, ele falou do Live ID, que o terra estava usando, mas não conseguiu mostrar, só pra completar o vexame.

Lamentavelmente acabei vendo no que o visual studio se tornou, uma confusão só, que mais complica do que auxilia o desenvolvedor. Nessa hora me ocorreu a epifania, uma das coisas que eu tinha lido lido no Getting Real e tinha discordado era sobre ao planejar um sistema, faça as escolhas ao invés de deixá-las para o usuário. Ao ver o próprio funcionário da Microsoft se enrolar para aumentar a fonte, eu percebi o quanto eu gosto do emacs e do textmate, por falar nisso preciso arranjar uma grana pra pagar a licensa, pois o período de trial tá acabando.

A segunda palestra foi do Elcio da Visie e do Tableless, o título fala de muitas coisas, mas o assunto da palestra foi um só Produtividade. E ele conseguiu mostrar o que queria.

Apesar de só fazer uma pequena demonstração de JQuery e de web.py a mensagem foi passada pois mostrou como desenvolvedores podem ser eficientes, se forem organizados e seguirem certos métodos.

A demostração do menu aninhando foi muito convincente, porém o que chamou mais atenção da platéia foi a demonstração de que com um toolbox correto a efeciência é enormemente maior. Infelizmente isso é negligenciado pela maioria, poucos desenvolvedores se preocupam com uma IDE, e se espantaram com a demonstração do que o editor vi é capaz. Muita gente acha estranho usarem a dupla vi/emacs (eu uso emacs por exemplo) que são editores que já tem seus 32 anos de existência. Está ai uma prova de que bom programas podem durar décadas.

Também foram citadas várias boas práticas, como usar controle de versão, testes unitários e tudo mais. Aposto que a apresentação abriu os olhos de vários desenvolvedores. E eu descobri que eu não sou o único chato que implica com coisas que todo mundo despreza, como programadores que digitam catando milho, hehe.

A primeira palestra, da Locaweb falaria sobre tendências. Mas não foi isso que aconteceu, e a palestra, me perdoem o trocadilho, foi bem tendenciosa.

O que aconteceu foi que as tendências apresentadas, foram tendências a 2 ou 3 anos atrás, praticamente todas hoje já são realidade. Por exemplo, OpenID já é usado largamente, e praticamente todo mundo tem um (apesar de não saber), pois as contas do Google são ids através do endereço do blogger/blogspot, e as do Yahoo idem. Se você não percebeu a comentar num blog hospedado no blogger/blogspot você tem a opção de usar o OpenID. A novidade pra mim foi saber da API do Live ID da Microsoft, patrocinadora do evento.

Outra tendência citada foi MVC, padrão arquitetural que está pra completar 30 anos. Isso mesmo, uma tendência de 30 anos. Mas tenho que ser justo, como padrão para desenvolvimento web é mais recente, porém já conheço o padrão e o utilizo a mais ou menos 3 anos. E pela quantidade de frameworks existentes, na wikipedia temos listados mais de 60 ou 70 frameworks. O que prova que o MVC já foi tendência, hoje é realidade, a única tendência que eu vejo nesse ponto, é que está quase pra sair o framework MVC da Microsoft, já está no Preview 2.

A tendência mais controversa é a tal da “Cloud Computing”, onde o foco da palestra foi para a parte de escalabilidade e a Amazon Elastic Computing Cloud, na qual foi dita uma inverdade, que esse serviço era cobrado por hora, e não é o caso.

Mas o foco da palestra foi a tendência Ruby on Rails, além já não ser tendência a algum tempo. O framework já era usado por muita gente que estava lá. E olha que o marketing da própria Locaweb avisou que temas que já tinham sido abortados não estariam nas palestras, e como exemplo de tema já abortado está lá Ruby on Rails. Duvida? Confira. E as gafes não pararam por aí, o palestrante não sabia a diferença entre Ruby (linguagem de programação) e Rails (framework), trocando a bolas inumeras vezes, fazendo parecer que Ruby e Rails eram uma coisa só, nem citando por exemplo outros frameworks pra Ruby, como o Merb. Não contente com essa tremenda confusão, ao explicar REST e MVC, mostrou o mesmo desconhecimento, achando que as duas coisas eram sinônimos. Isso pra mim isso mostrou uma falta de profissionalismo sem tamanho, pois uma das atitudes mais nocivas é ensinar de forma errada. Uma das razões de REST não ser um padrão de facto hoje é a falta de entendimento do que é esse padrão arquitetural, e o pior ainda, o desconhecimento de métodos do protocolo HTTP, desconhecimento que a Locaweb infelizmente fez questão de levar a frente essa confusão toda. E pra terminar com chave de outro e reforçar minha teoria de que foram tendências antigas, o palestrante falou que a versão 2.0 do Ruby on Rails foi lançada a um mês, mas foi lançada ano passado, acho que apresentação não era para 2008 e sim pra 2007.

Pelo menos a Locaweb reconheceu que o suporte que eles dão a Ruby on Rails é péssimo (a ponto de qualquer coisa mais complicada que um tutorial inicial não rodar bem) e prometeram melhorar.

E o último problema pra mim foi o mais interessante, já que matemática é a minha área, e o quinto problema era sobre matemática.

O problema era fatorar 1321317089447443, fácil. Era só procurar no Google que você acharia sites como esse, que fatoram o número.

Caso quisesse “aceitar o desafio”, seja lá o que isso signifique, e programar, também era simples, segue o código em javascript, em homenagem a quem acertou o desafio.

var factor = 3;
var number = 1321317089447443;
while (factor*factor <= number) { if (number % factor == 0) { console.log(factor); number /= factor; } else { factor += 2; } } if (number != 1) console.log(number); [/sourcecode]

Obs: console.log é uma função javascript disponível no firebug, caso queira usar numa página troque por um document.write. E antes que me corrijam, a variável factor é inicializada com 3, pois já sei que 2 não é fator pra esse caso (number não é par).

Eis que surge o quarto problema.

O problema estava lá, e não podiamos ver. De cara achei que tinha algo escondi com um display: none e desabilitei o css do Firefox. Mas não apareceu nada, aí não teve outro jeito, olhar o código fonte. E lá estava:

<!-- Qual o nome da cor de fundo do Livro de Mozilla? -->

Abri a página do Livro do Mozilla e habilitei o firebug e estava lá “background: maroon;”. Fácil demais.